7 de jun de 2009

Nova Ciência Social


“Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”.
(Nelson Rodrigues)
A primeira vista, parece-nos uma afirmação cômica, e até mesmo radical, diante de algumas situações que a vida nos impõe.
Porém, vamos refletir... até que ponto essa afirmação é real?
É fácil encontrarmos, em todos os segmentos da sociedade moderna, alguma bandeira pintada em letras garrafais: Não ao racismo! Proteja os animais! Abaixo ao preconceito! Cuidem das criancinhas! Respeitem os idosos!
E eu pergunto: Quem defende os inteligentes?
Pois bem.
Em pleno século XXI, na era da tecnologia, da multifuncionalidade, da velocidade, da informação e da globalização, ainda temos que viver segundo regras arcáicas, que transformam a inteligência numa espécie de “desvantagem perante a vida”.
E neste contexto, confesso que há tantos acéfalos mandando em homens inteligentes que, às vezes, chego a pensar que burrice é uma “Ciência”, e uma ciência embasada em disfunções da vida social, inserida em um sistema cruel, que emperra todo processo de evolução social, humana e universal.
Talvez seja por esta razão que há tempos a humanidade não produza bons frutos, como Einstein, Tales de Mileto, Freud, Alexandre O Grande, Sócrates, Copérnico, dentre tantos outros.
As bandeiras escritas em letras garrafais, deveriam trazer os dizeres: Ousem! Inovem! Questionem! Descubram! Transformem!
E quem sabe, quando essas bandeiras forem vistas, erguidas e respeitadas, não sejamos mais forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir-se de burra, se quiser vencer na vida.
Os medíocres conhecem bem suas limitações, sabem o quanto lhes custa executar tarefas que os mais inteligentes fazem com apenas uma das mãos. E assim, na medida com que admiram (ou invejam) tal facilidade, repudiam-os para defender suas posições.
A separação entre o joio e o trigo dá-se via o fadário de que o mundo é 360°... em todos os sentidos! Independente do empenho de alguns para negar essa verdade universal: a lei do retorno.
Portanto, o talento é um dom maravilhoso, assustador e destrutivo!
O que intriga minha alma é o paradoxo angustiante que nasce dessa disputa silenciosa entre os seres humanos, pois até para ser medíocre precisa de uma certa dose de talento...
O problema é que inteligentes gostam de brilhar, apesar de saberem que cada minuto de brilho fatalmente culminará em novos inimigos, em perseguições ferrenhas e, na maioria das vezes, secretas.
Assim, o duelo continua no espaço entre a terra fria e o céu azul.
E... mesmo com todas as travas, todos os boicotes, todos os preconceitos, todas as ameaças à inteligência transformadora de alguns, estes seres com dotes mais desenvolvidos, inovam assim mesmo, constroem assim mesmo, perseveram assim mesmo e até perdoam assim mesmo...
Porque no fundo esses seres sabem, que no final, o acerto de contas é entre “eles e Deus” e nunca entre “eles e os medíocres”.
Lucianne Gomes Mariano.
Academia Iunense de Letras.