29 de mar de 2011

Onde a arte se esconde?...


Durante uma pesquisa de Filosofia da Arte - Artes Sacras. Saí em campo atrás de imagens aqui em Iúna. E para minha surpresa, encontrei uma que me chamou a atenção:

Trata-se de um anjo construído em uma das sepulturas mais antigas do Cemitério Municipal de Iúna/ES. (Tamanho médio: 1,20 X 0,60cm).

O anjo, com semblante infantil e com as mãos em posição de oração, possui um olhar fixado para a base superior do túmulo, como se orasse (velasse) a todo tempo pelo indivíduo (alma) sepultado no local.

Apesar de estar posicionada na cabeceira do túmulo, em meio a um cemitério, a escultura não transmite tristeza. O que o espectador pode perceber, de imediato é a serenidade e ingenuidade do homem perante a morte.

A estética é delicada e de finos traços de acabamento. Apesar de ser construída com material mais rude (cimento - resistente ao tempo), a mesma não perde em beleza e detalhes.

Na iconografia comum, os anjos são donos de uma beleza delicada e de um forte brilho, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude. Vale a pena ressaltar aqui que Anjo (do latim angelus e do grego ággelos (mensageiro), segundo a tradição judaico-cristã é uma criatura celestial, acreditada como sendo superior aos homens, que serve como ajudante ou mensageiro de Deus. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento apresentam histórias que citam anjos, que se apresentam aos homens para trazer uma mensagem de Deus, para dar uma boa-nova e/ou esperança aos que sofrem. Considerando a localização espacial da mesma, pode-se afirmar então que a imagem mantém uma relação direta com a função que desempenha.

Em pensar que já passei várias vezes por esta escultura e nunca havia observado esses detalhes (ou imaginado que haviam tantos conceitos artísticos/estéticos/filosóficos ali!).

Como disse, certa vez, Paul Klee: "A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver."
Adorei o resultado (tanto da pesquisa, quanto desta imagem). No dia, até as nuvens colaboraram! rss