8 de jun. de 2009

A Jangada do Méduse - Théodore Gericault


A obra acima é intitulada “A Jangada do Méduse”, de autoria do pintor Théodore Gericault, e teve enorme importância como símbolo do Romantismo na pintura, reunindo ingredientes peculiares dessa corrente estética, tais como cores dramáticas, liberdade gestual e temas exóticos.

O quadro retrata a luta dos sobreviventes do naufrágio da fragata real "Méduse" na costa africana, enquanto levava soldados e colonos franceses para a missão de colonizar o Senegal. Na jangada foi instaurada a prática do canibalismo e adotada a lei do mais forte permitindo ainda que os mais doentes fossem lançados ao mar.

Géricault procurou estabelecer os limites entre a clareza e a obscuridade ou entre o racionalismo e o irracionalismo da era moderna, no qual o sagrado direito a vida se esvai diante da luz da razão. Com o movimento dramático das figuras no quadro e com a polaridade entre a luz e a sombra, que se desdobra sobre o mar revolto, Géricault exprime com intensidade dramática e épica os fatos contemporâneos.

Esta obra marcou época como crítica a ao Estado Moderno e terminou por consagrar Théodore Gericault como um dos grandes românticos, ao lado de Eugène Delacroix.

Improviso 31 - Kandinsky


Com relação à obra Improviso 31 – Batalha Naval, de Wassily Kandinsky, há uma forte relação entre a música e a pintura, característica essa que impregnou a arte do pintor. A obra traz a busca da liberdade ansiada por Kandinsky e a intensão de criar formas autônomas que liberaria sua arte da mera representação das formas da figuração. As manchas pictóricas, justapostas com violência que é, ao mesmo tempo, de um extremo requinte, ecoam como notas de uma sinfonia de fortes contrastes.
Dessa sua aspiração nasceu no pintor o desejo na arte moderna de impregnar de ritmo a pintura, de construção matemática abstrata, de notas repetidas de cor, de colocar em movimento as cores, em síntese, de abstrair.Não é por acaso que, a partir de 1910, as obras de Kandinsky se intitulam na sua maioria, “improvisações”, “composições”, e “impressões”, e são numeradas como os trechos musicais, dentre as quais se encontram a obra observada.
Na mesa redonda realizada na Ufes, foi unanimidade a opinião de que é interessante perceber e analisar a forte relação entre a expressão artística, o contexto histórico e a vida pessoal do autor da obra.
Esse novo conhecimento, adquirido de forma interdisciplinar (história e arte), fornece ao observador uma gama maior de recursos (e de segurança) para interpretar a obra de forma mais adequada. Muito bom!

Vicent van Gogh




Estudar Vicent van Gogh é uma viagem plena e absoluta para um universo inimaginável!

Em sua obra “Quarto em Arles”, o autor reflete a imagem do quarto onde estava hospedado na ocasião da pintura.
A obra possui três versões em anos diferentes, havendo mudanças em algumas cores em cada versão.
Embora buscasse a impressão de tranqüilidade em seu quadro, este reflete a tensão, a solidão de Van Gogh. Os objetos do quarto não têm relação entre si, o piso aparenta cair para frente, a janela está entreaberta, os quadros pendem em direção à cama, os móveis em diagonal, tudo parece refletir o caos em que Van Gogh mergulhara.
Esta análise só pode ser feita ao associarmos os traços técnicos da pintura com o contexto histórico pessoal da vida do artista, que passou para a história como um dos exemplos mais notórios do artista maldito, do gênio desajustado, do homem incompreendido por seu tempo, mas que foi aclamado pela posteridade.
Ao longo da vida, sofreu uma série interminável de infortúnios: desilusões amorosas, crises nervosas, misérias financeiras. Foi tratado como louco, ficou várias vezes exposto à fome, à solidão e ao frio.
Foi na pequena e ensolarada aldeia francesa de Arles que a pintura de Vincent van Gogh encontrou o cenário ideal para dar o grande salto artístico, a partir de 1888, apenas dois anos antes de sua morte. As cores - sobretudo o amarelo - explodiram com intensidade nas telas, mas o deslumbramento e a obsessão pelo trabalho minaram-lhe a saúde física e mental.
Em Arles, pintou cerca de 200 quadros e fez 100 desenhos.
Em meados de 1890, aos 37 anos, Vicent van Gogh saiu em direção a um trigal, igual a tantos outros que já pintara. Mas não levava telas e pincéis, e sim uma pistola. Voltou a arma contra o próprio peito e apertou o gatilho. Não resistiu ao ferimento. Morreu por volta de uma e meia da manhã do dia 29.


Capa de livro com nanquim

Tabela de Cores

Decoração 2



Pintura em Telha - Decoração 1





pintura em telhas - Meninos 1





pintura em telhas - Meninas 2





Pintura em Telhas - Meninas 1





Quarto do Davi


Trabalho personalizado para Davi (meu príncipe lindo!).
Utilização da mesclagem de textura e desenho bidimensional.
Acabamento em madeira e verniz transparente.
Tempo para realização: 03 dias.
Meu presente com todo carinho!


7 de jun. de 2009

Sempre "ELES"...


Esta semana me deparei com uma cena, no mínimo intrigante, que me conduziu a um questionamento sobre o que é desonestidade e quando ela se manifesta.
Era uma tarde quente, com um sol de verão, céu azul e muita movimentação nas ruas de Iúna.
Estava eu, seguindo em direção ao meu lar, quando percebi um motorista estacionando seu carro luxuoso em frente à escola Henrique Coutinho, bem ao lado de uma placa alertando que era proibido estacionar naquele local.
Ignorando as leis de trânsito, o carro foi estacionado rapidamente por seu motorista habilidoso, com provavelmente muitos anos de habilitação, pois o mesmo aparentava uns 50 anos. O motorista desceu do carro e pôs-se a chutar “discretamente” aquela indefesa placa. Aos poucos, o ferro que sustentava o aviso rendeu-se aos fatais chutes e desprendeu-se do chão. O motorista então, sem nenhuma timidez, arrancou a placa do buraco e virou-a de frente para a árvore e de costas para a rua, de forma que qualquer pessoa que passasse no local não pudesse identificar que placa era aquela.
Voltando ao veículo, o motorista o trancou e saiu tranquilamente para resolver seus afazeres no comercio próximo.
Como lá estava eu, em frente à escola, à espera de um amigo que havia marcado um encontro comigo, pude ter o privilégio de testemunhar a volta do “honesto” motorista ao seu carro luxuoso.
Ele retornou à sua placa-vitima, arrancou-a do chão novamente e colocou na posição correta. Um segundo homem, que estava vindo na calçada, aparentemente conhecido do motorista, perguntou o que ele estava fazendo com aquela placa na mão. E o motorista, aos risos, respondeu que havia mudado a posição da placa para evitar ser flagrado estacionado em local proibido, mas que agora, que já estava saindo, poderia colocá-la da forma correta.
Naquele instante, meu primeiro impulso foi me aproximar e dizer a vergonha de ter testemunhado um senhor, de cabelos grisalhos, que provavelmente é pai (ou avô), ter um comportamento tão desonestamente malandro.
Mas, titubeei, achando melhor seguir meu caminho e guardar aquela lição, registrada por meus olhos, embaixo de um sol escaldante.
Em tempos de crise, é fácil ouvir discursos ardorosos condenando a corrupção, os maus políticos, os empresários com esquemas duvidosos, os anti-éticos, os laranjas e desonestos como se os mesmos fossem sempre “eles” e nunca “nós”.
Aquela cena me fez perceber que a corrupção é uma característica latente em todos, o que separa o joio do trigo é a consciência, a educação e a responsabilidade moral de cada um.
Aquele senhor, provavelmente já reclamou da crise do governo, dos maus políticos da região, de desonestidades de outrem, mas não percebe que para chutar uma placa, mudá-la de posição, ignorar a lei de transito, em público e em beneficio próprio é necessário uma boa dose de desonestidade também.

Afinal, ninguém começa roubando um banco, sem antes ter treinado com a caneta do coleguinha, o isqueiro no supermercado, a omissão do troco errado ou a indefesa placa de transito.
Lucianne Gomes Mariano.
Academia Iunense de Letras.

Nova Ciência Social


“Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”.
(Nelson Rodrigues)
A primeira vista, parece-nos uma afirmação cômica, e até mesmo radical, diante de algumas situações que a vida nos impõe.
Porém, vamos refletir... até que ponto essa afirmação é real?
É fácil encontrarmos, em todos os segmentos da sociedade moderna, alguma bandeira pintada em letras garrafais: Não ao racismo! Proteja os animais! Abaixo ao preconceito! Cuidem das criancinhas! Respeitem os idosos!
E eu pergunto: Quem defende os inteligentes?
Pois bem.
Em pleno século XXI, na era da tecnologia, da multifuncionalidade, da velocidade, da informação e da globalização, ainda temos que viver segundo regras arcáicas, que transformam a inteligência numa espécie de “desvantagem perante a vida”.
E neste contexto, confesso que há tantos acéfalos mandando em homens inteligentes que, às vezes, chego a pensar que burrice é uma “Ciência”, e uma ciência embasada em disfunções da vida social, inserida em um sistema cruel, que emperra todo processo de evolução social, humana e universal.
Talvez seja por esta razão que há tempos a humanidade não produza bons frutos, como Einstein, Tales de Mileto, Freud, Alexandre O Grande, Sócrates, Copérnico, dentre tantos outros.
As bandeiras escritas em letras garrafais, deveriam trazer os dizeres: Ousem! Inovem! Questionem! Descubram! Transformem!
E quem sabe, quando essas bandeiras forem vistas, erguidas e respeitadas, não sejamos mais forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir-se de burra, se quiser vencer na vida.
Os medíocres conhecem bem suas limitações, sabem o quanto lhes custa executar tarefas que os mais inteligentes fazem com apenas uma das mãos. E assim, na medida com que admiram (ou invejam) tal facilidade, repudiam-os para defender suas posições.
A separação entre o joio e o trigo dá-se via o fadário de que o mundo é 360°... em todos os sentidos! Independente do empenho de alguns para negar essa verdade universal: a lei do retorno.
Portanto, o talento é um dom maravilhoso, assustador e destrutivo!
O que intriga minha alma é o paradoxo angustiante que nasce dessa disputa silenciosa entre os seres humanos, pois até para ser medíocre precisa de uma certa dose de talento...
O problema é que inteligentes gostam de brilhar, apesar de saberem que cada minuto de brilho fatalmente culminará em novos inimigos, em perseguições ferrenhas e, na maioria das vezes, secretas.
Assim, o duelo continua no espaço entre a terra fria e o céu azul.
E... mesmo com todas as travas, todos os boicotes, todos os preconceitos, todas as ameaças à inteligência transformadora de alguns, estes seres com dotes mais desenvolvidos, inovam assim mesmo, constroem assim mesmo, perseveram assim mesmo e até perdoam assim mesmo...
Porque no fundo esses seres sabem, que no final, o acerto de contas é entre “eles e Deus” e nunca entre “eles e os medíocres”.
Lucianne Gomes Mariano.
Academia Iunense de Letras.

Todos os dias...



Nunca estou só em meus pensamentos...

Penso Sarah...

Penso Sofiah...
Penso em dobro.
Uma vez por mim e outra por elas.
São verdades absolutas
Em meio a uma rotina frenética.
Cheia de sustos e descobertas.
Brincam com meu íntimo.
Com minha alma sempre alerta.
Vivo dias de exaustão e de pleno júbilo.
Compreendo o que elas não dizem.
Ouço pensamentos.
Cheiro sentimentos.
Desenvolvo novos e secretos talentos.
Todos os dias...

Lucianne Gomes Mariano.
Academia Iunense de Letras.

O Portador



Ainda me lembro daquele dia.
Era uma manhã de céu azul, sol de verão e cheiro de aventura.
O carro trouxe no porta-malas a esperada encomenda, confortavelmente embalada em uma enorme caixa. Era minha primeira bicicleta: uma caloi 80, feminina, vermelha e indomável.
O portador era confiável, altivo, inteligente, e foi quem desnudou, conferiu e encaixou peça a peça.
Em poucos minutos, lá estava ela... imponente, inteira... me convidando a um duelo irresistível, assustador e imediato.
Nos observamos por algum tempo e, naqueles segundos, antes mesmo do primeiro toque, éramos “caça e caçador”, definindo qual papel caberia a cada uma de nós.
Lembro-me que o local escolhido para o confronto era um morro, encarpetado por areia e pedregulhos, que remetia o coração à batidas ainda mais descompassadas.
Havia uma platéia impaciente na soleira da pequena “casa de vó”, esperando apreensiva pelo duelo.
Subi até o ponto mais alto do morro, empurrando minha oponente, e tentando imaginar como seriam os segundos da descida.
Respirei fundo, sentei-me sobre ela e me entreguei ao meu destino. Transformado, naquele instante, numa luta envolta a medo, intensidade, prazer e lágrimas.
Foi a primeira vez que senti, na carne e na alma, que crescer dói, sangra... e que a mistura daqueles sentimentos me daria a fórmula perfeita para me equilibrar sobre o desconhecido.
Me entregar, lutar, sangrar, crescer, vencer... foi exatamente o que aquele portador, a quem eu chamava de pai, me ensinou naquele dia, quando me entregou a encomenda e disse: “trouxe um presente para você, menina!”
E a menina não era mais a mesma, depois daquele presente pra vida inteira.
Lucianne Gomes Mariano.
Academia Iunense de Letras.

(O portador era Djalma Luciano da Silva, meu saudoso pai, falecido em 09/09/1988. Atualmente a caloi 80 está restaurada, vestida de rosa, sob a guarda de minhas filhas, duelando, na 2ª geração.)